Prisão interior?

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As vezes a mente tenta fugir…

Deito-me à cama para dormir e sinto a mente esperneando, querendo sair. A cabeça dói na luta para mantê-la ao corpo.

Seria o corpo uma prisão? A mente prisioneira do corpo.

Ou seria a mente um refúgio do mundo real? O corpo prisioneiro do real.

Real… O que é real? O que os sentidos nos mostram?

Os sentidos que tantas vezes nos enganam…

Uma lembrança não é real?

Se aconteceu, é real…

E uma imaginação? Não pode ser tão perfeita, tão… palpável ao ponto de se tornar real?

Música… Escolho, a depender do meu estado de espírito, um artista ou um álbum. Aperto o play.

O corpo se distrai. A mente se liberta.

Retorno renovado no outro dia, muitas vezes sem lembrar onde passei a noite anterior…

O Menino da Livraria

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Um dia desses percebi a limitação que meu dumbphone me impunha. Precisava de uma desculpa para comprar um smart…

Joguei o chip irlandês fora, coloquei o brasileiro e obviamente não funcionou, pois o aparelho é bloqueado.

No aparelho brasileiro (nem dumb, muito menos smart), coloquei uma bateria antiga, defeituosa.

2 dias sem celular foram suficientes para causar uma série de transtornos em meu ciclo familiar, envolvendo, inclusive, os celulares de minha mãe e de minha irmã.

Não aguentaram a minha incomunicabilidade e, a mando de meu pai, fui ao shopping acompanhado de minha irmã.

No stand de celulares, acabei optando por um S3 mini, pois considerei o aparelho ideal para entrar no mundo dos smartphones. (alguns dias depois, seria indagado, por meu pai, por que não escolhi um S4…)

Enquanto minha irmã resolvia as burocracias do pagamento, entrei na livraria em frente.

Fui atraído por um livro intitulado “Sonho Grande”, que conta como 3 empresários supostamente revolucionaram o capitalismo brasileiro e conquistaram o mundo. Comprei.

Saindo, já acompanhado de minha irmã, é a vez das revistas me atraírem. De longe, passo a vista pelas estantes e decido me aproximar. Dou o primeiro passo e sou alertado por minha irmã:

– Cuidado com o menino.

Olho para baixo e o vejo sentado no chão, escorado no balcão com uma revista na mão.

Naquele momento me transporto para seu mundo.

Sou contra a invasão de mundos e não invado… Sou convidado pela vivacidade da luz emanada por aqueles olhos.

– É o carro em que o Paul Walker morreu… Foi a velocidade… Era vermelho…

Por um breve instante chego a imaginar estar olhando nos olhos do próprio Paul Walker e só sou trazido de volta ao mundo real pelo chamado de minha irmã…

Se é que interessa, o smartphone tem atendido satisfatoriamente as minhas necessidades. Só não sei por mais quanto tempo, pois já domino quase todas as suas funções.

Quanto ao livro… Ainda não li e por enquanto prefiro continuar sonhando…

Sonho grande, sonho pequeno, sonho alto…

Hoje a revolução significa puxar os freios de emergência

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Leonardo Boff

Atribui-se a Karl Marx esta frase pertinente: “só se fazem as revoluções que se fazem”. Quer dizer, a revolução não configura um ato subjetivo e voluntarista. Quando assim ocorre, é logo vencida por imatura e falta de consistênica.   A revolução acontece quando as condições da realidade estão objetivamente maduras e  simultaneamente existe nos grupos humanos a vontade subjetiva de querê-la. Então ela irrompe com chance, nem sempre garantida, de vencer e se consolidar.
Atualmente teríamos todas as condições objetivas para uma revolução. Revolução é aqui tomada no seu sentido clássico como a mudança dos fins gerais de uma sociedade que cria os meios adequados para alcançá-los, o que implica a mudança nas estruturas sociais, jurídicas, econômicas e espirituais desta sociedade.
Atualmente a degradação geral em quase todos os âmbitos, especialmente na infra-estrutura natural que sustenta a vida é tão profunda que, em si, se necessitaria de uma radical revolução. Do…

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Crônica da Vida

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Tem que saber nascer, tem que aprender a andar.

Tem que saber obedecer, tem que aprender a falar.

Tem que aprender a escrever, tem que saber brincar.

Tem que saber aprender, tem que aprender a estudar.

Tem que saber perder, tem que saber não ter, tem que aprender a ganhar.

Tem que aprender a comer, tem que saber crescer, tem que aprender a esperar.

Tem que aprender a nadar, tem que aprender a correr, tem que imaginar, voar.

Tem que saber conquistar, tem que saber ceder, tem que se adaptar.

Tem que saber abraçar, tem que saber beijar, tem que aprender a gostar, tem que aprender a amar.

Tem que receber, tem que dividir, tem que compartilhar.

Tem que ser você, tem que se dedicar, tem que se doar, tem que se dar.

Tem que entender, tem que compreender, tem que perdoar.

Tem que aceitar, tem que questionar,

tem que desafiar, tem que criar, tem que inovar.

Tem que se unir, se reproduzir e ensinar.

Tem que começar e saber parar.

Tem que ser feliz pra quando o fim chegar,

não se arrepender e descansar.

Tem que aprender a morrer…

Os rolezinhos nos acusam: somos uma sociedade injusta e segregacionista

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Daqueles que não precisam de maiores explicações…

Leonardo Boff

O fenômeno dos centenas de rolezinhos que ocuparam shoppings centers no Rio e em  São Paulo suscitou as mais disparatadas interpretações. Algumas, dos acólitos da sociedade neoliberal do consumo que identificam cidadania com capacidade de consumir, geralmente nos jornalões da mídia comercial, nem merecem consideração. São de uma indigência analítica de fazer vergonha.
Mas houve outras análises que foram ao cerne da questão como a do jornalista Mauro Santayana do JB on-line e as de três  especialistas que avaliaram a irrupção dos rolês na visibilidade pública e o elemento explosivo que contém. Refiro-me à Valquíria Padilha, professora de sociologia na USP de Ribeirão Preto:”Shopping Center: a catedral das mercadorias”(Boitempo 2006), ao sociólogo da Universidade Federal de Juiz de Fora, Jessé Souza,”Ralé brasileira: quem é e como vive (UFMG 2009) e  de Rosa Pinheiro Machado, cientista social com um artigo”Etnografia do Rolezinho”no Zero Hora de 18/1/2014. Os três deram entrevistas esclarecedoras.

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