Hoje a revolução significa puxar os freios de emergência

Padrão

Leonardo Boff

Atribui-se a Karl Marx esta frase pertinente: “só se fazem as revoluções que se fazem”. Quer dizer, a revolução não configura um ato subjetivo e voluntarista. Quando assim ocorre, é logo vencida por imatura e falta de consistênica.   A revolução acontece quando as condições da realidade estão objetivamente maduras e  simultaneamente existe nos grupos humanos a vontade subjetiva de querê-la. Então ela irrompe com chance, nem sempre garantida, de vencer e se consolidar.
Atualmente teríamos todas as condições objetivas para uma revolução. Revolução é aqui tomada no seu sentido clássico como a mudança dos fins gerais de uma sociedade que cria os meios adequados para alcançá-los, o que implica a mudança nas estruturas sociais, jurídicas, econômicas e espirituais desta sociedade.
Atualmente a degradação geral em quase todos os âmbitos, especialmente na infra-estrutura natural que sustenta a vida é tão profunda que, em si, se necessitaria de uma radical revolução. Do…

Ver o post original 669 mais palavras

Crônica da Vida

Padrão

Tem que saber nascer, tem que aprender a andar.

Tem que saber obedecer, tem que aprender a falar.

Tem que aprender a escrever, tem que saber brincar.

Tem que saber aprender, tem que aprender a estudar.

Tem que saber perder, tem que saber não ter, tem que aprender a ganhar.

Tem que aprender a comer, tem que saber crescer, tem que aprender a esperar.

Tem que aprender a nadar, tem que aprender a correr, tem que imaginar, voar.

Tem que saber conquistar, tem que saber ceder, tem que se adaptar.

Tem que saber abraçar, tem que saber beijar, tem que aprender a gostar, tem que aprender a amar.

Tem que receber, tem que dividir, tem que compartilhar.

Tem que ser você, tem que se dedicar, tem que se doar, tem que se dar.

Tem que entender, tem que compreender, tem que perdoar.

Tem que aceitar, tem que questionar,

tem que desafiar, tem que criar, tem que inovar.

Tem que se unir, se reproduzir e ensinar.

Tem que começar e saber parar.

Tem que ser feliz pra quando o fim chegar,

não se arrepender e descansar.

Tem que aprender a morrer…

Os rolezinhos nos acusam: somos uma sociedade injusta e segregacionista

Padrão

Daqueles que não precisam de maiores explicações…

Leonardo Boff

O fenômeno dos centenas de rolezinhos que ocuparam shoppings centers no Rio e em  São Paulo suscitou as mais disparatadas interpretações. Algumas, dos acólitos da sociedade neoliberal do consumo que identificam cidadania com capacidade de consumir, geralmente nos jornalões da mídia comercial, nem merecem consideração. São de uma indigência analítica de fazer vergonha.
Mas houve outras análises que foram ao cerne da questão como a do jornalista Mauro Santayana do JB on-line e as de três  especialistas que avaliaram a irrupção dos rolês na visibilidade pública e o elemento explosivo que contém. Refiro-me à Valquíria Padilha, professora de sociologia na USP de Ribeirão Preto:”Shopping Center: a catedral das mercadorias”(Boitempo 2006), ao sociólogo da Universidade Federal de Juiz de Fora, Jessé Souza,”Ralé brasileira: quem é e como vive (UFMG 2009) e  de Rosa Pinheiro Machado, cientista social com um artigo”Etnografia do Rolezinho”no Zero Hora de 18/1/2014. Os três deram entrevistas esclarecedoras.

Ver o post original 674 mais palavras

A prisão do precisar

Padrão

via: Paulo Marcelo Gondim Sales

Precisar é preciso, mas não necessariamente precisamente precisamos.
Precisar é o prenúncio de uma cisão, uma ruptura.
Rompemos o equilíbrio do universo para refazer o universo de nós mesmos.

Querer de olhos fechados e mente aberta é loucura,
Enquanto querer de mente fechada e alerta ao mundo é ser normal.

Em que escada subiremos para alcançar aquilo o que tanto desejamos?
Que lareira morna de amor e satisfação estará nos aguardando do outro lado do muro?

Precisar, precisão. Precisar é sim uma prisão.
Somos prisioneiros do querer, do pensar, do acreditar.

O universo é possível,
Mas o homem é certo, preciso.

Somos senhores da prisão lógica que criamos
E movidos pelos desejos que por outros foram criados.

Liberdade.

 

Ilustração de Pawel Kuczynski

Inabalável

Padrão

Quando tudo for nada, quando todos não forem ninguém

Quando a derrota for iminente e o fim bater a sua porta

Quando não compreenderes o mundo e o mundo já não te compreender

Vinde a mim, pois de ti nada espero.

 

Serás empurrada e cairás

Serás execrada e chorarás

Serás enganada e iludida

Assim é a vida.

 

Dizer-te-ão mil mentiras e em todas elas acreditarás

Tentarão nos distanciar e talvez até consigam, mas

Mal sabem eles que não se abala o inabalável.