Graciliano Ramos sobre o infinito

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Dou-me de presente todas as ideias. Só não me dou de presente a ideia de infinito. Não me acostumei em vida a justificar qualquer hierarquia, não me acostumei a pensar a desigualdade.

A relação do homem com o infinito não passa pelo campo do saber. O infinito é um desejo que se nutre de sua própria fome de… infinito!

Eu, um metafísico?! De jeito nenhum. Encantam-me os paradoxos. Ou melhor: sou vítima dos paradoxos.

Se levanto o punhal para assassiná-los, os paradoxos zombam de mim. Quanto mais zombam de mim, mais os admiro, por sua inconsistência sedutora.

Ah! Os paradoxos!… Tento corrigi-los. Ossos do ofício de quem foi um dia revisor de jornal!

Sobre o autor: Graciliano Ramos

Autor brasileiro, chegou a ser prefeito de Palmeira dos Índios, no interior de Alagoas. Uma de suas principais obras é “Vidas Secas”, que retrata a vida dos retirantes nordestinos.

fonte: http://tvcultura.cmais.com.br/provocacoes/poemas-e-textos/pgm-144-paradoxos-29-06-2003